Brasília Monumental e Cotidiana

As fotografias de Joana França nos falam sobre sua duradoura relação com Brasí- lia, que por vezes beira a obsessão. Seu olhar tateia a cidade, experimentando suas texturas, curvas e ângulos, como quem explora o corpo da pessoa amada, tentando reter os detalhes para mante-lo presente na memória.

Nessa pequena mostra podemos percor- rer alguns diferentes momentos dentro dessa experiência. As imagens se alter- nam entre detalhes, sejam das constru- ções ou do mobiliário, até a macro escala do desenho urbano. Ora através de enquadramentos formalmente rigoro- sos, que fazem saltar aos olhos a preocu- pação dos modernistas com o desenho que perpassa todas as escalas, ora reve- lando aspectos imprevisíveis das ocupa- ções dos espaços urbanos, que só se re- velam para quem é íntimo o suficiente para encostar a cabeça no peito, e escu- tar o ritmo sutil, mas pulsante da cidade que hoje é viva.

Suas fotografias são um convite generoso para que deixemos cair o véu que o coti- diano impõe entre a cidade e nosso olhar apressado do dia a dia. Expondo sua inti- midade com a cidade, Joana nos oferece possibilidade de rever Brasília através do seu olhar de quem nutre um amor maduro cultivado pelo trabalho diário.

por Ricardo Theodoro

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